Página inicial > Quais são os desafios de Dilma no Novo Banco de Desenvolvimento?
Quais são os desafios de Dilma no Novo Banco de Desenvolvimento?
13/04/2023 09:11
Sanções contra Rússia e tensões entre membros do BRICS serão desafios e podem limitar expansão
Filipe Porto
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
13 de Abril de 2023 às 06:20
Dilma na sede do NBD em Xangai - NBD
A ex-presidenta do Brasil, Dilma Rousseff, foi recentemente eleita presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD). A excessiva repercussão da notícia de forma superficial, com especulações sobre o salário, a capacitação técnica e as possíveis motivações políticas e ideológicas por trás da nomeação de Dilma ofuscou reflexões mais significativas, como o estado atual do NBD, as funções da nova presidenta e também os desafios que aguardam a instituição na atual ordem econômica mundial.
Lançado em 2014, o NBD, anteriormente conhecido como Banco de Desenvolvimento dos BRICS, é um banco multilateral de desenvolvimento. Composto por nove membros (Bangladesh, Brasil, China, Egito, Índia, Rússia, África do Sul, Emirados Árabes Unidos e Uruguai), tem como foco principal o financiamento de projetos relacionados a energia, infraestrutura, saneamento básico e proteção ambiental nos estados-membros do BRICS e países em desenvolvimento.
A criação do NBD surgiu do desejo de mudança na arquitetura financeira global; alguns acreditam que o banco é uma alternativa ao sistema de Bretton Woods, que historicamente tem recebido críticas por privilegiar os interesses particulares das potências ocidentais enquanto limita o acesso dos países mais pobres; outros veem o NBD como um complemento às instituições financeiras internacionais existentes, fomentando a concorrência ao oferecer mais oportunidades para os países obterem investimentos internacionais. Atualmente, o banco já aprovou o financiamento de US$ 32,8 bilhões para 96 projetos nos países-membros.
Além disso, o NBD conta com financiamento externo (por meio de mecanismos como a emissão de títulos de dívida nos mercados de capitais nacionais e/ou internacionais) para além do capital empreendido pelos membros do banco. Devido ao conflito em curso e às sanções dos EUA à Rússia, a busca por fundos estrangeiros tem sido prejudicada.
Um dos principais objetivos do NBD e do BRICS encontra-se na consideração de admissão de novos membros. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou recentemente que "mais de uma dúzia" de países expressaram interesse em ingressar no grupo econômico, incluindo Afeganistão, Argentina, Indonésia e Arábia Saudita. Embora esses países possam fazer importantes contribuições para o NBD, um olhar mais atento sobre a dinâmica em torno dessas possibilidades é necessário para evitar a execução dispersa dos objetivos.
Em primeiro lugar, o NBD procura expandir projetos financiados em moedas locais. Isso também apoia a campanha global de Pequim para internacionalizar o renminbi (RMB). Embora a moeda chinesa ocupe o quinto lugar como a moeda mais ativa em termos de valor na lista de pagamentos globais de acordo com os relatórios da SWIFT, países emergentes estão cada vez mais interessados em usar o RMB em transações comerciais com a China, especialmente para reduzir custos de transação operando com uma terceira moeda intermediária. Um estudo do Centro Empresarial Brasil China, de 2021, observou que o estabelecimento de uma clearing-house de RMB (mecanismo de liquidação e compensação de ativos financeiros) no Brasil poderia reduzir os custos das transações comerciais com a China em até US$ 1,5 bilhão em um período de 10 anos. Em março deste ano foi firmado o acordo para estabelecimento da clearing house no Brasil.
Cédular de dólar e de renminbi, a moeda nacional da China. / Fred Dufour / AFP
Para outros países, a disposição em usar o RMB se deve a razões como baixas reservas em dólares americanos, desejo de contornar as sanções dos EUA ou parte de esforços mais amplos para encontrar alternativas frente a desvalorização de suas moedas frente ao dólar. É o caso de vários que pleiteiam a entrada no NBD, como Argentina, Paquistão e Cazaquistão, que também compartilham um histórico econômico semelhante ao do Brasil: grandes exportadores de commodities para a China e cuja moeda nacional tende a se desvalorizar em relação ao dólar. A partir dessa perspectiva, o uso do RMB pode ajudar a evitar a dependência do dólar americano como terceira moeda.
Também é importante notar que os principais exportadores de petróleo para a China - ou seja, Rússia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Angola - conhecidos como grupo petro-yuan ou petro-rmb, também estão usando cada vez mais RMB em transações. Em março deste ano, a mídia internacional informou ainda que estavam em curso negociações entre a China e a Arábia Saudita, principal exportador de petróleo para a China, para a utilização do RMB em acordos petrolíferos.
Esta é mais uma sugestão de que os principais fornecedores de petróleo estão olhando para o Oriente, principalmente em busca de cooperação além da energia, como a tecnologia fornecida pela China. Apesar de recentes, tais movimentos podem se espalhar para áreas além do comércio de petróleo; Recentemente, a China mediou um acordo de paz entre o Irã e a Arábia Saudita, e mesmo estando longe de substituir o que alguns chamam de "lacuna" deixada pelos EUA na região, já que os EUA dirigem seu foco para o Indo-Pacífico, esses os países parecem encontrar mais pontos em comum com Pequim do que com Washington.
Várias tensões intra e extra BRICS, bem como questões domésticas, podem continuar a impactar a coesão do NBD. Membros atuais e potenciais estão enfrentando problemas internos, como economias instáveis, isolamento diplomático, diferentes níveis de desenvolvimento econômico e rivalidades geopolíticas. Essas questões podem tornar mais difícil para os governos manterem coesão interna e potencialmente dificultar a busca do NBD por fundos estrangeiros.
Por mais que existam aspectos de divergência entre os BRICS, os membros devem se empenhar no apoio de pontos que convergem para que possam cumprir a promessa do BRICS de buscar uma ordem mundial mais justa. Atrair novos membros para o NBD, além de alavancar a obtenção de recursos econômicos e a agenda do banco, deve ser uma estratégia para reduzir os atritos entre os membros, encontrar alternativas para enfrentar a situação complexa em que a Rússia se encontra e também promover a imagem de uma iniciativa à qual vale a pena aderir.
* Filipe Porto é pesquisador no Observatório de Política Externa e Inserção Internacional do Brasil, o OPEB, da Universidade Federal do ABC.
** Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.
Ricardo Antunes adverte sobre os efeitos nefastos da aprovação do PL dos Aplicativos para a classe trabalhadora em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos.
Instituto Humanitas Unisinos entrevista Ricardo Antunes
No Brasil de 2023,...
Ministério da Gestão propõe aumentar benefícios e negociar aumentos com cada categoria separadamente
Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Técnicos, docentes e estudantes do campus São Paulo do IFSP se reúnem no primeiro dia...
Alimentação Saudável foi tema de seminário da CUT-RS
Dezenas de pessoas acompanharam na tarde desta quinta-feira, 18, o seminário “Liberdade e Democracia só com Alimentação Saudável”, realizado no auditório da CUT-RS.
A diretora da CUT Regional Metropolitana, Regina Abrahão, salientou na...
Trabalhadores nas ruas dão aula de democracia contra a retirada de direitos
“Contra o PL e o ajuste fiscal, o trabalhador vai fazer greve geral”, afirmaram o os manifestantes no final da atividade
Teve chuva, sol e muita luta nesta sexta-feira, 29, Dia Nacional de Paralisação e...
NOTA PÚBLICA DA CUT PODE MAIS
A luta de classes, pós a redemocratização no Brasil, nunca esteve tão explícita e acirrada, fazendo com que o país atravesse um período incerto e difícil. Há uma grave crise política e institucional instalada que, somada aos efeitos que a crise...
Trabalhadores de todo o Brasil foram às ruas do PL 4330/04. Em torno de duas mil pessoas participaram das atividades em Porto Alegre
As mobilizações começaram ainda de madrugada em Porto Alegre e em cidades do interior neste Dia Nacional de Luta contra a Terceirização, 15 abril. Na capital...
A Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra) enumera dez razões para os deputados rejeitarem o PL 4.330/04, que expande a terceirização no Brasil.
O projeto está na pauta do plenário da Câmara dos Deputados desta terça-feira (7). Sua aprovação pelos deputados, segundo a Anamatra,...
“E se o piloto do avião fosse terceirizado?”, questionavam os manifestantes no aeroporto, para alertar a população do perigo que representa a aprovação do PL 4330/04. Ainda houve panfletagem na Esquina Democrática e caminhada até a Assembleia Legislativa
Desde às 5h da manhã desta terça-feira, 07,...
A secretaria de Mulheres do Sindicato das Sapateiras e Sapateiros e trabalhadoras (os) em Componentes para Calçados da CUT de Novo Hamburgo realizaram no dia 08 de março esta bela atividade com a presença de inumeras sapateiras e com a palestrante Giorgia ( Chica) e com as debatedoras Dra....
Punição será de 12 a 30 anos de prisão quando o crime envolver violência doméstica e familiar ou menosprezo e discriminação contra a condição de mulher. O crime também será classificado como hediondo. Projeto segue para sanção presidencial.
Gustavo Lima/Câmara dos...
Claudio Augustin: “Os governos têm um tempo inicial para tomar pé da máquina pública. Mas esse governo está atrasando esse processo. Nós estamos aguardando um pouco, mas não vamos aguardar muito. Logo, logo, a luta estará na rua”. Foto:Filipe Castilhos/Sul21
Marco Weissheimer
Após publicar seu...