Página inicial > Entidades lançam campanha por revogação da ‘reforma’ trabalhista, que ‘vendeu ilusões’
Entidades lançam campanha por revogação da ‘reforma’ trabalhista, que ‘vendeu ilusões’
17/05/2022 07:15
Para professor espanhol, revisão da lei no país ajuda a superar cultura de “sempre rebaixar e degradar” condições de trabalho. Mudanças exigem diálogo social
Por Vitor Nuzzi, da RBA
Publicado 17/05/2022 - 06h31
Agência Brasil
0
1
São Paulo – Entidades do mundo acadêmico, jurídico e sindical se uniram para lançar campanha pela revogação da “reforma” trabalhista (Lei 13.467, de 2017). O passo inicial do movimento “Revoga Já” foi dado no último sábado (14), com seminário durante todo o dia, presencial e virtual, na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP). A recente experiência na Espanha foi um dos cenários examinados. Para o professor Francisco José Trillo Párraga, mais conhecido como Paco Trillo, da Universidade de Castilla-La Mancha, nenhuma reforma pode ser feita pelo caminho autoritário, “mas por acordo, por diálogo social”.
O caso brasileiro pode ser visto como exemplo. O secretário de Assuntos Jurídicos da CUT, Valeir Ertle, lembrou que originalmente o projeto de reforma do Executivo tinha sete artigos e 19 dispositivos. Saiu do Congresso com 117 artigos e 138 dispositivos. “E foi feita a toque de caixa”, lembrou. “Foi apresentado relatório na segunda, na terça aprovado o regime de urgência e aprovado na mesma semana na Câmara, sem nenhum tipo de debate.”
Argumentos falaciosos
No Senado, o dirigente acredita que alguns parlamentares foram iludidos com a promessa feita por líderes do governo de que uma medida provisória “corrigiria” alguns pontos do projeto. Essa MP nunca apareceu. “Foi sancionado na íntegra.” No mesmo período, acrescentou, outro projeto que liberou completamente a terceirização (Lei 13.429, também em 2017). “A pejotização aumentou de forma assustadora, o trabalho intermitente, precário. Todos os dias tem uma tentativa (de aprofundar a reforma trabalhista), com artigos e emendas nefastas para a classe trabalhadora”, afirmou o sindicalista.
Para o senador Paulo Paim (PT-RS), os governistas “venderam muitas ilusões para convencer a população acerca da necessidade de flexibilização dos direitos”. A argumentação recorrente era de que isso precisava ser feito para que o emprego crescesse. “Nós sabíamos e denunciamos que os argumentos eram falaciosos. E a aprovação da terceirização deixou claro que o interesse era tirar direitos e aumentar a exploração da mão de obra.”
Paco Trillo: para professor espanhol, qualquer mudança na lei tem de ser feita de forma negociada com a sociedade (Reprodução YouTube. Clique para assistir)
Trabalhador empobreceu
O cenário é de empobrecimento, disse Paim. Ele citou dados do Dieese mostrando que, em março, mais da metade dos acordos salariais ficou aquém do INPC. Situação agravada pelo fim da política de valorização do salário mínimo. O piso nacional chegou a corresponder a US$ 350, e hoje está em torno de US$ 250. Além disso, novas modalidades de trabalho, como os aplicativos, se caracterizam por jornadas extenuantes “e não têm sequer reconhecidos os seus direitos trabalhistas básicos”. “Que país é este?”, indagou o senador, que é relator do projeto que prevê o chamado Estatuto do Trabalho, apresentado ainda em 2018.
Paco Trillo apontou reformas que foram impostas ao longo do anos, que desenvolveram certa cultura na Espanha de que, por exemplo, “um mau emprego seria melhor do que o desemprego.” Isso abriu caminho, lembrou, para a contínua degradação das modalidades de contratação e ampliando os contratos temporários, com alta rotatividade, o que prejudicava tanto a situação do trabalhador como a própria economia. “Uma tendência de sempre, sempre, sempre rebaixar e degradar condições de trabalho”, afirmou o pesquisador, para quem um certo “déficit democrático” proporcionou a reforma trabalhista de 2012, agora revisada. Mas a mudança obtida representa apenas um “ponto de partida”, lembrou.
A ministra Delaíde Miranda Arantes, do Tribunal Superior do Trabalho, lembrou que 17 dos 27 integrantes do TST assinaram manifesto em que fundamentavam sua posição contrária ao projeto. “Nós havíamos falado sobre o resultado nefasto que teria a reforma trabalhista”, afirmou a também integrante da Associação Juízes para a Democracia (AJD). Ela observou, por exemplo, que o princípio do legislado sobre o negociado, defendido pelo setor patronal, sempre se aplicou em prejuízo do trabalhador. A rigor, acrescentou a ministra, “o Brasil nunca teve um Estado de bem-estar social completo”.
Ricardo Antunes adverte sobre os efeitos nefastos da aprovação do PL dos Aplicativos para a classe trabalhadora em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos.
Instituto Humanitas Unisinos entrevista Ricardo Antunes
No Brasil de 2023,...
Ministério da Gestão propõe aumentar benefícios e negociar aumentos com cada categoria separadamente
Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Técnicos, docentes e estudantes do campus São Paulo do IFSP se reúnem no primeiro dia...
FAMA 2018
1.000 nascentes de rios estão ameaçadas pelo desmatamento em Goiás
1.000 nascentes de rios estão ameaçadas pelo desmatamento em Goiás
04 de Outubro de 2017
No começo desse ano, fiscais da Secretaria de Meio Ambiente, de Recursos Hídricos, de Infraestrutura, Cidades e...
Marco Weissheimer
O ato contras as reformas Trabalhista e da Previdência, em defesa das Diretas Já e em solidariedade ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, realizado no início da noite desta quinta-feira (20), na Esquina Democrática, centro de Porto Alegre, foi marcado por várias...
Além de violar o nosso direito à privacidade e usar de forma indevida nossos dados pessoais, agora o Facebook quer ler nossas emoções, se apropriar da nossa alma
por Renata Mielli, no MidiaNinja publicado 02/07/2017 09h56, última...
A CUT-RS promove na próxima segunda-feira (12), às 13h30, uma plenária estadual de mobilização da nova greve geral, que as centrais sindicais marcaram para o dia 30 de junho contra as reformas da previdência e trabalhista, contra a terceirização sem limites e pelo Fora Temer. O encontro será...
Agência BrasilEnquanto desemprego cresce, Temer comemora crescimento de 1% no PIB
Cada vez mais fragilizado na Presidência da República, o ilegítimo Michel Temer (PMDB) comemorou no Twitter o crescimento de 1% do PIB (Produto Interno Bruto) no primeiro trimestre de 2017. “Acabou a...
As centrais sindicais que lutam contra as reformas Trabalhista e da Previdência, reunidas nesta quinta-feira (4), em São Paulo, aprovaram o envio de uma carta à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) para agradecer ao apoio recebido nas recentes lutas travadas em defesa dos direitos...
Centrais sindicais constroem unidade e convocam para greve em todo o país, no final de abril.
Escrito por: Luiz Carvalho e Sérgio Alli • Publicado em: 27/03/2017 - 19:02 • Última modificação:
Carlos Zuca Imagem da mobilização no último dia 15, na Avenida Paulista
A CUT e...
Dirigente fala sobre impactos das mudanças na aposentadoria especialmente para os trabalhadores rurais
Por Vívian Fernandes, do Brasil de Fato
Alterar a idade mínima e o tempo de contribuição para a aposentadoria. Esses são alguns dos pontos da reforma da previdência promovida pelo...
CUT/RS
Às vésperas do Natal, a CUT-RS lançou nesta quarta-feira (21) uma nova frente de luta contra a Reforma da Previdência. Um panfleto começou a ser distribuído para a população, explicando o conteúdo da PEC 287/2016 que o governo ilegítimo e golpista de Michel Temer (PMDB) enviou...
O
O desmonte da Previdência, ponto por ponto
Outras Palavras – Quando anunciou que a expectativa de vida do brasileiro, em 2013, havia se elevado para o patamar de 74,9 anos, Fernando Albuquerque, gerente do Projeto Componentes...