Página inicial > Arcabouço fiscal: como fica o SUS com o novo mecanismo de controle de gastos
Arcabouço fiscal: como fica o SUS com o novo mecanismo de controle de gastos
11/08/2023 07:45
Fim do teto de gastos é boa notícia, mas proposta do governo ainda tem potencial para limitar investimentos e preocupa
Juliana Passos e Nara Lacerda
Atualmente, a maior parcela de gastos com saúde no Brasil é feita pelo setor privado; quanto ao investimento público, estados e municípios investem mais do que a União, apesar de arrecadarem menos - ASCOM/MS
É fundamental lembrar o que o próprio presidente da República tem falado: saúde é investimento
Após cinco anos acumulando perdas que somam R$ 70 bilhões, o Sistema Único de Saúde (SUS) opera sob a perspectiva de reconstrução e retomada de financiamentos. No entanto, o Regime Fiscal Sustentável, ou arcabouço fiscal, pode manter alguns obstáculos no caminho.
O texto estabelece regras para controle dos gastos públicos e substitui o teto de gastos, definido no governo de Michel Temer (PMDB), que congelou o Orçamento Federal. A política, implementada após o golpe contra a ex-presidenta Dilma Rousseff (PT), ocorrido em 2016, impossibilitou a aplicação do que é previsto pela Constituição para a área da saúde, 15% da receita corrente liquida.
Pelo arcabouço fiscal, as despesas são vinculadas à arrecadação. Independentemente da inflação, o gasto do governo poderia aumentar, no máximo, 70% do aumento da arrecadação com impostos. A proposta do governo também prevê um teto de 2,5% para aumento anual de despesas.
“Desses 2,5% máximos que pode crescer a despesa, uma parte será obrigatoriamente destinada à garantia do piso profissional da saúde. Isso traz como consequência novamente a ideia de que o piso da saúde vai ser um teto, porque, para se gastar mais do que os 15% da receita corrente líquida, você está tirando recursos de outras áreas.”
Funcia afirma que o arcabouço representa um avanço em relação ao teto de gastos, mas estabelece uma restrição à capacidade de financiamento de políticas públicas em diferentes áreas. Além disso, declarações de membros da equipe econômica sinalizaram que poderia haver disposição de rever os pisos constitucionais.
O especialista alerta que a possibilidade representaria um retrocesso. “As despesas com saúde cresceriam menos que o crescimento da receita, o que é muito grave, levando-se em conta o que o SUS tem feito e demonstrou na pandemia [de covid-19] e levando-se em conta que o Sistema Único de Saúde trata desde vacinas até consultas médicas simples, especializadas, transplantes, exames, o complexo industrial econômico da saúde. Está tudo nesse piso de 15%. Reduzir esse piso significa comprometer a capacidade, inclusive, de crescimento da economia”, analisa.
Promessa de campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o refinanciamento das políticas sociais é uma demanda geral dos setores da sociedade que apoiaram a candidatura petista. No caso da saúde, os movimentos consideram que o gasto público deve alcançar 6% do Produto Interno Bruto (PIB).
Funcia ressalta que o índice está previsto nas diretrizes definidas na 17ª Conferência Nacional de Saúde e é essencial para garantir que a maior parte do gasto em saúde no Brasil seja público e, desse investimento público, que metade esteja entre as responsabilidades do governo federal. Hoje, a maior parcela de gastos é do setor privado e estados e municípios investem mais, apesar de arrecadarem menos.
“No médio prazo, há, sim, possibilidade de se viabilizar esse nível de financiamento, para que o SUS possa, cada vez mais, cumprir com o preceito constitucional de acesso universal e integral [à saúde]. Com integralidade, com equidade. Principalmente, é fundamental lembrar aquilo que o próprio presidente da República tem falado em diversas ocasiões: que saúde não é gasto, mas é investimento.”
Votação do arcabouço fiscal
O arcabouço fiscal passou por vota ção em dois turnos na Câmara dos Deputados, foi apreciado no Senado, onde sofreu modificações e, agora, volta à análise de deputados e deputadas. Havia a expectativa de que ele entrasse em pauta na semana passada, o que não ocorreu. O relator do texto, Cláudio Cajado (PP-BA), disse que a matéria pode ser retomada já na próxima semana.
Ricardo Antunes adverte sobre os efeitos nefastos da aprovação do PL dos Aplicativos para a classe trabalhadora em entrevista ao Instituto Humanitas Unisinos.
Instituto Humanitas Unisinos entrevista Ricardo Antunes
No Brasil de 2023,...
Ministério da Gestão propõe aumentar benefícios e negociar aumentos com cada categoria separadamente
Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
Técnicos, docentes e estudantes do campus São Paulo do IFSP se reúnem no primeiro dia...
Terceirização pode ser votada no Congresso: PL 4.302 x PLC 30
Em razão do cenário atual, o senador Paulo Paim (PT-RS) deve acelerar a apresentação do seu parecer para regulamentar a terceirização para os mais de 12 milhões de trabalhadores da atividade meio. O presidente do Senado, Renan...
Ao invés de praticar o ativismo judicial, regulamentando a matéria, convém à Suprema Corte a estratégia de autocontenção, preservando a jurisprudência trabalhista que há décadas bem equaciona o fenômeno da terceirização. Eventual liberação pelo STF da prática ilimitada da terceirização implicaria...
“Hoje é um marco na construção da greve geral”, disse o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, no ato público realizado nesta quinta-feira (22), em frente à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), no centro de Porto Alegre, que finalizou o dia nacional de lutas, atos,...
Análise da CUT PODE MAIS
corrente interna na Central Única dos Trabalhadores, sobre o momento atual da conjuntura.
Estamos vivendo momentos de crise. É uma crise que abarca todas as dimensões da vida humana, com seus aspectos econômicos, financeiros, éticos, sociais, políticos e...
A mídia, o Congresso, o Supremo e todas as forças que atuaram para derrubar Dilma, segundo Romero Jucá em áudio vazado pela Folha de S. Paulo hoje, podem até tentar matar no peito o que já estava claro e agora se comprova, Dilma só está sofrendo o processo do impeachment porque os corruptos de...
ESCRITO POR RAPHAEL SANZ, DA REDAÇÃO
SEGUNDA, 21 DE MARÇO DE 2016
Para uma significativa parcela da população, a crise política demonstra um caráter golpista. Os ataques midiáticos ao Governo Federal, o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e,...
“Sou brasileiro, é pra valer, não vou deixar este golpe acontecer”. Esse grito e o já tradicional “não vai ter golpe, vai ter luta” foram os mais entoados por mais de 50 mil pessoas que tomaram as ruas do centro de Porto Alegre no fim da tarde desta sexta-feira (18) em defesa da democracia, dos...
Entenda as consequências da enxurrada de lama de rejeitos da mineração
Por Caio Santos, para os Jornalistas Livres
Quem chega em Gesteira, distrito rural no município de Barra Longa, MG, nunca vai imaginar que antes passava um córrego com água cristalina e havia um...