A pedido de Flávio Bolsonaro, Fux manda suspender investigação sobre Queiroz

18/01/2019 10:20

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, determinou, nesta quinta-feira (17), a suspensão da investigação que apura as movimentações financeiras atípicas do ex-assessor do senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL), Fabrício Queiroz, e de outros assessores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).

O pedido foi feito por Flávio, filho mais velho de Jair Bolsonaro (PSL), e o processo ficará suspenso até que o relator do caso, ministro Marco Aurélio de Mello, se pronuncie. 

A informação foi divulgada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por meio de nota. “Pelo fato do procedimento tramitar sob absoluto sigilo, reiterado na decisão do STF, o MPRJ não se manifestará sobre o mérito da decisão”, informou o órgão. 

A decisão do STF ocorre sete dias depois que Flávio Bolsonaro decidiu não comparecer ao Ministério Público (MPF-RJ) para prestar depoimento sobre o caso das movimentações atípicas de seu ex-assessor e motorista, revelado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Na ocasião, o filho de Bolsonaro alegou que não teve "acesso aos autos" e tinha se comprometido a "agendar dia e horário para apresentar os esclarecimentos". No entanto, Flávio Bolsonaro optou por tentar suspender a investigação do que prestar esclarecimentos à Justiça.

Até agora ninguém explicou nada sobre as denúncias. Na mesma semana em que Flávio não foi depor, familiares de Queiroz também faltaram à oitiva no Ministério Público. Suas filhas, Nathalia e Evelyn Melo de Queiroz, e a mulher, Marcia Aguiar, alegaram que estavam em São Paulo para acompanhar o ex-assessor até o final do tratamento de um câncer intestinal.

Queiroz, principal investigado, foi intimado a prestar esclarecimento ao Ministério Público, mas faltou por duas vezes. A defesa do ex-assessor alegou motivos de saúde para justificar o não comparecimento de Queiroz, que dias depois foi à entrevista no SBT, tentando justificar a movimentação financeira com o argumento de compra e venda de carros. 

Assim como fez seu ex-assessor, no mesmo dia em que faltou ao MP, Flávio deu uma entrevista exclusiva para o SBT, em que afirmou não ter "controle sobre o que seus funcionários fazem fora do gabinete".

Relembre o caso

No início de dezembro de 2018, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) publicou um relatório alegando que encontrou uma movimentação atípica de R$ 1,2 milhão na conta corrente do policial militar Fabrício José Carlos de Queiroz, ex-assessor Parlamentar III do deputado estadual e senador eleito Flávio Bolsonaro.


Ao todo, 75 servidores são citados no documento, mas nem todos seguem o mesmo padrão de movimentação financeira. Queiroz e Flávio Bolsonaro não foram alvo da operação à época.O relatório fazia parte de um desdobramento da Operação Furna da Onça, que prendeu dez deputados e secretários estaduais do Rio, em novembro de 2018, para investigar a participação de parlamentares em esquema de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual.


Uma das transações na conta do assessor de Flávio Bolsonaro, citadas no relatório do Coaf, é um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama Michelle Bolsonaro. Além dessa movimentação atípica, somente em 2016, foram feitos 176 saques em dinheiro de sua conta corrente. Segundo o Coaf, as movimentações de Fabrício são “incompatíveis com o patrimônio, a atividade econômica ou ocupação profissional e a capacidade financeira” do ex-assessor parlamentar. Como motorista e segurança de Flávio, Queiroz recebia R$ 8.517 mensais por mês, segundo a folha de pagamento da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). O relatório do Coaf mostra que ele ainda acumulava rendimentos mensais de R$ 12,6 mil da Polícia Militar.  


SAIBA MAISOutras movimentações que estavam sendo investigadas antes da recente decisão do STF correspondem aos depósitos feitos na conta do ex-motorista, cuja maior parte era feita por nove ex-assessores de Flávio Bolsonaro nos dias de pagamento da Alerj ou até três dias úteis depois. De um total de 59 operações realizadas, 34 seguiram este padrão. O restante do dinheiro foi depositado em até uma semana.


Todos os assessores, inclusive o ex-motorista Queiroz, foram exonerados em outubro, antes de ser deflagrada a Operação Furna da Onça.Isso significa que os assessores, entre eles, as filhas do ex-motorista, Nathalia e Evelyn, e sua mulher, Marcia Oliveira de Aguiar, não ficavam com os salários que recebiam para supostamente trabalhar no gabinete do filho mais velho do presidente.

Fonte:www.cut.org.br/noticias/fux-manda-suspender-investigacao-sobre-ex-assessor-de-flavio-bolsonaro-28f9