Suas refeições diárias consomem entre 2 mil e 5 mil litros de água

01/11/2017 12:27
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Crédito: foto - IG

Suas refeições diárias consomem entre 2 mil e 5 mil litros de água

A crescente escassez de água é um dos principais desafios para o desenvolvimento sustentável e seguramente se agravará na medida em que a população mundial continuar crescendo

Os fatos são claros. São necessárias de uma a três toneladas de água para produzir um quilo de cereal, e até 15 toneladas para produzir um quilo de carne. Calcula-se que, para produzir as refeições diárias de uma pessoa, são necessários entre dois mil e cinco mil litros desse recurso.

A crescente escassez de água é um dos principais desafios para o desenvolvimento sustentável, e seguramente se agravará na medida em que a população mundial continuar crescendo e a mudança climática se intensificar.

A competição pela água aumentará na medida em que a população do planeta superar os nove bilhões de pessoas, por volta de 2050. De fato, milhões de famílias agricultoras dos países pobres não têm acesso a água doce, e os conflitos pelos recursos hídricos já superam os referentes à terra em algumas regiões, conforme afirmou José Graziano da Silva, diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), no Fórum Mundial para a Alimentação e a Agricultura, realizado este ano, em Berlim, na Alemanha.

Além disso, a mudança climática já está alterando os regimes hidrológicos em todas as partes, acrescentou Graziano, citando estimativas segundo as quais alguns bilhões de pessoas em regimes de secas (com alta concentração de pobreza extrema e fome) poderão sofrer uma crescente escassez de água em um futuro próximo. “A agricultura é, ao mesmo tempo, uma causa e uma vítima importante da escassez de água. A agricultura representa cerca de 70% das retiradas de água doce no mundo atual, e também contribui para a contaminação hídrica devido aos pesticidas e aos produtos químicos”, destacou.

Para superar a situação, a comunidade internacional acordou que um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) se refira exclusivamente à água, e integrou uma melhor gestão desse recurso natural essencial em todos os ODS, indicou o diretor da FAO. Ele exortou os participantes presentes no encontro de Berlim a promoverem formas de usar menos água e de maneira eficiente, e tomar medidas para garantir o acesso, especialmente para as famílias de agricultores pobres.

“Fazer isso não impedirá que ocorra uma seca, mas pode ajudar a prevenir que estas resultem em fome e transtornos socioeconômicos”, afirmou Graziano. Diminuir os resíduos alimentares também é importante dentro de um uso mais consciente da água, acrescentou. E explicou que, a cada ano, um terço dos alimentos que produzimos se perde ou é desperdiçado, o que se traduz em um volume de água mal utilizado na agricultura equivalente a três vezes o lago de Genebra.

A FAO projeta que a produção de água para irrigação aumentará em mais de 50% até 2050, mas a quantidade de água retirada pela agricultura só pode aumentar 10%, se melhorarem as práticas de irrigação e os rendimentos. O mundo tem cerca de 1,4 bilhões de quilômetros cúbicos de água, mas somente 0,003% dessa quantidade, aproximadamente 45 mil quilômetros cúbicos, são recursos de água doce que podem ser usados para beber, na higiene, agricultura e indústria.

É hora de deixar de tratar o esgoto como lixo e administrá-lo como um recurso que pode ser utilizado para os cultivos e ajudar na abordagem da escassez de água na agricultura, afirma a FAO. As águas residuais podem ser usadas de maneira segura para apoiar a produção de cultivos, diretamente por meio da irrigação, ou indiretamente mediante a recarga de aquíferos, mas para isso é necessária uma gestão cuidadosa dos riscos sanitários mediante um tratamento ou um uso adequado.

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A forma com os países abordam o problema e as últimas tendências no uso das águas residuais na agricultura foram temas centrais no fórum de Berlim. “Embora não se conte com dados mais detalhados sobre a prática, podemos dizer que, em nível mundial, apenas uma pequena proporção das águas residuais tratadas é utilizada para a agricultura”, informou Marlos de Souza, funcionário da Divisão Terra e Água da FAO.

Porém, um número cada vez maior de países – Egito, Espanha, Estados Unidos, Jordânia e México, por exemplo – exploram as alternativas diante da crescente escassez de água. “Até agora, a reutilização de esgoto para irrigação teve mais sucesso perto das cidades, onde está disponível e, em geral, livre de custo ou a baixo custo, e onde existe um mercado de produtos agrícolas, incluídos cultivos não alimentícios”, explicou Souza. “Mas a prática também pode ser aplicada nas zonas rurais, e há muito tempo é empregada por muitos pequenos agricultores”, pontuou.

O crescimento demográfico e a expansão econômica aumentam a pressão sobre os recursos de água doce. A taxa global de extração de água subterrânea aumenta constantemente em 1% ao ano desde a década de 1980. E a mudança climática agrava essas pressões. A agricultura representa 70% da extração de água doce em nível mundial, e calcula-se que a demanda por alimentos crescerá pelo menos 50% até 2050. A demanda por água das cidades e indústrias também está em crescimento

Porém, as águas residuais não tratadas contêm micróbios e patógenos, contaminantes químicos, resíduos de antibióticos e outras ameaças para a saúde de agricultores, trabalhadores da cadeia alimentar e consumidores, além de apresentar problemas ambientais. Em todo o mundo são aplicadas tecnologias e estratégias para tratar, administrar e usar o esgoto na agricultura, muitas delas específicas da base de recursos naturais locais, dos sistemas agrícolas nos quais são utilizados e nos cultivos que estão produzindo, ressaltou Souza. 

fonte: Envolverde
 

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