Trabalhadores e Trabalahadoras do Brasil dizem NÃO a Terceirização

08/04/2015 12:52

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“E se o piloto do avião fosse terceirizado?”, questionavam os manifestantes no aeroporto, para alertar a população do perigo que representa a aprovação do PL 4330/04. Ainda houve panfletagem na Esquina Democrática e caminhada até a Assembleia Legislativa

Desde às 5h da manhã desta terça-feira, 07, dirigentes de sindicatos filiados à CUT-RS e à CTB-RS e representantes de movimentos sociais se concentraram numa vigília no Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre. O objetivo era dialogar e conscientizar a sociedade sobre os perigos que a classe trabalhadora está correndo caso o PL 4330 seja aprovado, além de pressionarem os deputados que embarcam para Brasília para votarem contra a terceirização.

O dia 07 de abril será marcado por atos em Brasília e em diversos estados do país para impedir a votação no Congresso Nacional, do PL 4330/04, que regulamenta a terceirização – o que causará inúmeros prejuízos à classe trabalhadora. Atualmente, 12,7 milhões de trabalhadores (26,8%) do mercado de trabalho são terceirizados. E os empresários querem ampliar ainda mais esse contingente de subempregados.

Durante três horas, os dirigentes sindicais explicaram o impacto que a possível regulamentação da terceirização na atividade-fim das empresas terá para a toda a sociedade.

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O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, informou que houve atos em diversos aeroportos  do  país e em Brasília “para recepcionar os parlamentares.”  Para ele, se o Projeto for aprovado haverá um grande retrocesso na legislação trabalhista. “Uma empresa poderá não ter trabalhadores diretos, por exemplo, serão todos terceirizados, precarizando as relações de trabalho”, explicou.

Nespolo também declarou que haverá uma grande campanha mostrando quais deputados votarão a favor do PL. “Nos vamos para as ruas, mostrar para sociedade quem está contra os trabalhadores”, afirmou.

O dossiê “Terceirização e Desenvolvimento: uma conta que não fecha”, produzido pela CUT Nacional em parceira com o Dieese, mostra que os terceirizados ganham menos, trabalham mais e correm mais risco de sofrerem acidentes, inclusive fatais. Dos 10 maiores grupos de trabalhadores em condições análogas à de escravos resgatados entre 2010 e 2013, 90% eram terceirizados.

O bancário Juberlei Bacelo, relatou que já há um alto número de terceirizados nas agências bancárias nas áreas de retaguarda como processamento de documentos e tesouraria. Com o PL 4330, os bancos poderão funcionar sem qualquer bancário, com caixas e gerentes fornecidos por empresas terceirizadas. “Por isso, precisamos barrar esse projeto da escravidão”, disse ele.

Já o petroleiro, Dary Beck Filho chamou atenção para a segurança dos terceirizados. “São a grande maioria dos acidentes de trabalho. O navio-plataforma da Petrobrás que explodiu em fevereiro, no litoral do Espírito Santo era terceirizado”, contou.

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O servidor do judiciário, Marcelo Carlini lembrou que os servidores públicos também estão ameaçados já que a própria admissão via concurso público estaria comprometida com a aprovação do 4330. “Além de lutarmos contra a terceirização, também estamos aqui para pressionar o governo federal pela retirada das  MPs (Medidas  Provisórias) 664  e  665  -  que  alteram  direitos dos trabalhadores.”

A Reforma Política com o fim do financiamento empresarial nas campanhas eleitorais como maneira de combater a corrupção foi outro tema abordado pelos dirigentes.

Sindicalistas de diversas categorias foram à Brasília com as caravanas que saíram do Rio Grande do Sul para participar do ato na capital federal. A concentração inicia às 14h, em frente ao Congresso Nacional.

Sindicalistas são recebidos na Assembleia Legislativa

Após, houve uma panfletagem na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, onde os dirigentes continuaram a alertando a população sobre os riscos da terceirização. Por volta das 11h, os sindicalistas foram até a Assembleia Legislativa.

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No parlamento, uma comissão foi recebida pelo presidente da casa, Edson Brum (PMDB), antes da região de líderes. Na ocasião o presidente cutista e o presidente da CTB-RS, Guiomar Vidor, falaram da precarização do trabalho oriunda da terceirização e lembraram que órgãos como o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) já se posicionaram contra o PL 4330.

Os dirigentes solicitaram apoio político e que o parlamento gaúcho ajudasse na sensibilização dos deputados federais. Brum se comprometeu em repassar a reivindicação de apoio aos líderes de bancadas na Assembleia e garantiu que a terceirização precisa ser combatida. “Aqui no Parlamento temos trabalhadores terceirizados, o que é absurdo.”

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Os deputados Adão Villaverde (PT), Edgar Pretto (PT) e Nelsinho Metalúrgico (PT) manifestaram apoio aos trabalhadores, se posicionando contrários ao PL da escravidão.

Por: Renata Machado (CUT-RS)


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